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| 25/01/2015
Ensaios sobre a Igreja na pós-modernidade: introdução

Os tempos mudaram. O século XX foi marcado por tensões sociais que deflagraram mudanças profundas na cosmovisão de cada ser humano. As mudanças sociais nada mais são que a aplicação de filosofias que sucederam o período histórico denominado modernidade, gerando o que muitos chamam de pós-modernismo, e outros denominam hipermodernismo. Este tempo é marcado por superficialismo, relativismo, pluralismo e rejeição da verdade absoluta ou mesmo a completa aversão sobre o simples mencionar da verdade.

 

Para a cosmovisão cristã, de modo muito singular, o pós-modernismo tem sido um desafio, que para tantos é motivo de pavor, quanto para outros é uma boa oportunidade de mostrar que a reivindicação cristã da verdade – pois o próprio Cristo é a verdade – é um fato.

 

Entretanto, existe uma ala dentro da cristandade contemporânea, denominado Movimento da Igreja Emergente, que ao invés de sustentar a ortodoxia tradicional do Cristianismo, está procurando ajustar a cosmovisão cristã ao pluralismo relativista da pós-modernidade, criando uma religião híbrida e amigável ao extremo. Os emergentes possuem como mérito o despertar de aspectos cristãos que algumas denominações simplesmente esqueceram, como por exemplo, a prática do Evangelho, a comunicação do Reino de Deus fora das paredes da igreja, as boas obras para todo e qualquer ser humano, amando-o acima de dogmas e tradicionalismos religiosos, etc.

 

As boas obras devem ser prática cristã como fruto natural da recepção genuína do Evangelho por cada ser humano que se denomina cristão. É preciso ser um pouco mais prático, saindo do gueto e indo avante, entretanto, de modo algum a ortodoxia pode ser ajustada, se transformando por demais generosa, em função da ortopraxia. Em síntese, ortodoxia e ortopraxia devem andar juntas, como atestado mútuo da veracidade da fé cristã.

 

PARA COMEÇAR…

A pós-modernidade é o movimento da cultura que rejeita os valores da modernidade e vê com desconfiança os princípios racionais supostamente universais, desenvolvidos na época do Iluminismo. A filosofia de perfil irracionalista do final do século XIX preparou terreno para a pós-modernidade. Mas a pós-modernidade propriamente dita tem origem nas primeiras décadas do século XX, e seu impacto maior ocorreu nas últimas décadas.

 

O fenômeno teve início nas artes, inicialmente na arquitetura, e depois teve espaço ampliado na cultura geral. O impacto maior na sociedade se deu por influência da mídia. O cinema, a televisão e a internet são seus principais meios de disseminação, porém não os únicos. Esse novo modelo de ser já criou uma nova cultura que desafia o jeito tradicional de ser igreja.

 

Essa nova cultura manifesta algumas tendências tais como: culto ao ecossistema, desespero humanista, irracionalismo, misticismo, relativismo, existencialismo, pluralismo e predomínio do artístico. Tudo isso traça um perfil distinto de uma nova realidade que precisa ser mapeada, compreendida e enfrentada, pois o grande desafio para os cristãos é “ser igreja” em meio a essa nova cultura.

 

É realidade que nossa tradição evangélica histórica foi moldada pela mentalidade moderna, tanto na teologia, quando na eclesiologia. Essa igreja histórica, e um tanto quanto “sarcófaga”, sente em diversos aspectos o seu descompasso com esta nova geração pós-moderna. Urge tornar a mensagem bíblica relevante para esta nova geração. Todavia, a questão é muito melindrosa e complexa. O desafio é: como ser igreja em meio ao pós-modernismo? Como construir uma teologia desprendida da modernidade que não se atole no lamaçal do relativismo absoluto da pós-modernidade?

 

Na sede de criar modos de comunicar o Cristianismo neste horizonte, alguns estão optando por metodologias que estão muito contextualizadas ao gosto pós-moderno. Neste contexto se destaca o movimento denominado “Igreja Emergente”, que lança mão de artifícios que se distanciam de modo muito sutil do cristianismo ortodoxo.

 

O objetivo desta série de artigos é apresentar propostas de uma genuína ortopraxia, sem descuidar de modo algum da ortodoxia. Desta forma, será apresentada, além da definição do que é o pós-modernismo e dos desvios doutrinários causados pelos Emergentes, uma proposta de despertar os cristãos para enxergarem o “ser igreja” como algo mais amplo que um culto dominical entre as quatro paredes do templo.

 

Portanto, fique atento aos próximos artigos!

Por Jonas Ayres

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